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Pela Boca Morre o Peixe 2004-05-22 Há muito tempo que certas coisas andam cá por dentro a remoer.
E os anos passam (30 sobre o 25 de Abril) e a metáfora dos peixes, grandes e pequenos, do que é que vamos comer ou como é que nos vamos comer, da concretização dos sonhos, martela-nos ciclicamente com imagens e textos.
E tudo isto, de água e peixes, continua por dentro a moer.
Agora, no Trigo Limpo, chegamos a este pela boca morre o peixe porque:
A metáfora ainda tem razão de ser e existir…
A cidadania, a democracia, o sermos nós,
mesmo nos sonhos,
ainda se pode e deve discutir e aprender e concretizar…
Continuamos a teimar que o estado líquido é o único estado da matéria em que o ser humano é capaz de voar por dentro. (É por dentro do azul que podemos voar.)
Daí esta nossa inclinação para peixes.
Esta vocação para pregar aos ditos.
Este estar disposto a ser sempre a fingir.
por outro lado
Temos andado sempre às voltas com os espaços de apresentação dos espectáculos: em sala, na rua, em espaços mais ou menos convencionais, mais ou menos adaptados…
Ao mesmo tempo tentando perceber que há teatro de rua e teatro na rua,
que podemos estar na sala a fingir que estamos na rua
ou que podemos estar na rua a fingir que estamos na sala…
E se este p’la boca já pediu rua e água
vai agora parar à sala, se calhar, com água…
Porque por detrás de tudo está o despojamento dos sem abrigo,
que como numa sala estão na rua …
São náufragos mesmo ali na esquina.
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